Águas Subterrâneas

As águas subterrâneas são integrantes do ciclo hidrológico e correspondem, aproximadamente, a 97% da água doce disponível na Terra. São utilizadas praticamente em todos os países, desenvolvidos ou não. No Ceará as águas subterrâneas são utilizadas dentro de dois contextos: há regiões que usam permanentemente esse recurso e há regiões que o utilizam quando se encontram em estado de escassez hídrica superficial. Em média o volume explotado por dia para o consumo humano é em torno de 254.230,20 m3/dia, considerando 150 L/hab/dia e população de 48 municípios. Em função da sua importância, a Cogerh evoluiu o monitoramento dos níveis de água dos aquíferos e trabalha de forma a avançar no conhecimento hidrogeológico e hidroquímico, através de estudos específicos.

Cerca de 75% da área do Ceará é formada por rochas do embasamento cristalino, apresentando solos com pequena espessura, significando baixa potencialidade hidrogeológica, em geral, com elevadas concentrações salinas. As áreas sedimentares são representadas pelas bacias sedimentares, Araripe, Potiguar, Ibiapaba e Iguatu, como também pelos aluviões e sedimentos costeiros, formado pelo sistema Dunas, Paleodunas e Formação Barreiras, onde geralmente são encontrados os aquíferos que apresentam água de melhor qualidade. As bacias sedimentares são responsáveis pelos maiores volumes de água subterrânea do semiárido.

A Cogerh iniciou o monitoramento sistemático de poços profundos em 2009, nas regiões das bacias sedimentares do Apodi e do Araripe, com o objetivo de gerar um banco de dados para avaliar a variação dos níveis d’água nestes dois grandes sistemas aquíferos, consequentemente contribuir nas tomadas de decisões. Atualmente a rede de monitoramento é composta em todo o estado por 556 poços, compreendendo os tipos aquíferos: sedimentares poroso/cárstico e fissural.

A medição dos níveis é realizada através de sistemas dataloggers na Bacia do Araripe, e nas outras regiões de forma manual por técnicos das Gerências Regionais da Cogerh com periodicidade mensal, utilizando como instrumento de aferição um medidor elétrico de nível de água. O tratamento dos dados é realizado através de histogramas e médias móveis com tendência da variação sazonal, com a finalidade de evitar falsas anomalias.

Além do monitoramento dos níveis estáticos, também é realizado a medição de variáveis qualitativas em parte da rede, utilizando sondas multiparâmetros para obtenção de valores de condutividade elétrica (CE), sólidos totais dissolvidos (STD), potencial hidrogeniônico (pH) e temperatura (°C).

Anualmente são publicados os boletins com os resultados dos monitoramentos nas seguintes regiões:

  • Apodi: Alto Santo, Aracati, Icapuí, Quixeré e Tabuleiro do Norte (Aquíferos Açu, Jandaíra e Dunas/Barreiras);
  • Aquiraz, Beberibe, Caucaia, São Gonçalo do Amarante (Aquífero Dunas/Barreiras);
  • Aracati: Cumbe e Morrinhos (Aquífero Dunas);
  • Camocim e Acaraú (Aquífero Dunas);
  • Cariri: Abaiara, Brejo Santo, Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Missão Velha, Porteiras, Milagres, Mauriti (Sistemas Aquíferos Superior, Médio e Inferior);
  • Crateús: Canto dos Pintos (Aquífero Aluvionar e Fissural);
  • Iguatu (Aquíferos das Sub-bacias do Iguatu);
  • Itaiçaba (Aquífero Aluvionar);
  • Itarema e Trairi (Aquífero Dunas/Barreiras);
  • Jericoacoara (Aquífero Dunas);
  • Limoeiro do Norte: Km60 (Aquíferos Jandaíra e Açu);
  • Mombaça (Sedimentos Aluvionares e Fissural);
  • Morada Nova: Perímetro Irrigado – PIMN (Aquífero Aluvionar);
  • Pedra Branca (Aquífero Fissural);
  • Russas e Jaguaruana (Aquífero Aluvionar);
  • Taíba e Complexo Industrial e Portuário do Pecém – CIPP (Aquífero Dunas/Barreiras).

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