
A Companhia de Gestão de Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) investiu cerca de R$ 5,7 milhões durante o ano de 2025 em segurança de barragens, segundo o recém publicado Relatório Anual de Segurança de Barragens 2025 (RASB).
A maior parte (R$ 3.904.980,16) foi para continuidade em estudos e projetos, reforçando a priorização de ações voltadas ao planejamento, diagnóstico e suporte à gestão da segurança das barragens.
Número de ocorrências
No último ano, a Cogerh realizou 173 inspeções regulares em 85 barragens estaduais e identificou 1.499 anomalias no segundo ciclo, sendo 120 em nível de atenção e 5 em nível de alerta.
Esse total foi o menor dos últimos nove anos, porém, devido à mudança de metodologia de classificação de anomalias, haverá um reinício da série histórica de ocorrências. A partir dos dados de 2026, as análises das inspeções de segurança estarão mais consolidadas, todas baseadas em três parâmetros principais: a Situação, o Produto G.U.T. (Gravidade x Urgência x Tendência) e o Nível de Perigo (NP).

A aplicação dessa metodologia permitiu a identificação mais precisa das condições de segurança, sendo projetada uma melhoria significativa na gestão do portfólio de barragens, com maior eficiência na alocação de recursos e direcionamento das ações corretivas e preventivas.
A bacia Metropolitana concentrou 384 ocorrências, o equivalente a 25,62% do total, seguida por Alto Jaguaribe (189), Coreaú (172), Banabuiú (151) e Sertão de Crateús (147).
Os pontos com mais problemas foram:
- vertedouros (por onde o açude verte/sangra) – 257 anomalias
- taludes de jusante (uma das paredes da barragem) – 208
- tomadas d’água (por onde a água sai do reservatório) – 189
As falhas mais recorrentes foram vegetação excessiva, processos erosivos e deterioração de concreto.
Além disso, foi implementado em 2025 o aplicativo “Checklist Barragem”, desenvolvido pela Gerência de Tecnologia da Informação para promover melhorias operacionais no processo de inspeção, com foco na redução do tempo de execução das atividades e na integração direta com o Sistema Integrado de Gestão de Recursos Hídricos (Sigerh).
Obras de recuperação
No 1º semestre, foram concluídas duas obras de recuperação de barragens: Poço Verde, em Itapipoca, e Cipoada, em Morada Nova. O investimento em ambos açudes, estratégicos para as regiões do Litoral e do Sertão Central, foi de mais de R$ 5 milhões.


Outro R$ 1,2 milhão está sendo executado na recuperação da barragem Trapiá III, em Coreaú, com implantação de proteção granular para parede principal e auxiliar, sistema de drenagem interna, poços de alívio e trincheiras drenantes.
Plano de Ação de Emergência
Outro ponto de destaque é o Plano de Ação de Emergência (PAE) da barragem Olho d’Água, em Várzea Alegre, que incluiu estudo de ruptura, mancha de inundação, mapeamento das áreas potencialmente atingidas e definição de procedimentos de alerta e resposta.

O documento deve preparar o órgão empreendedor de segurança e a população potencialmente afetada para ações e situações de crises e emergências.
Esse foi o 4º PAE elaborado, já tendo concluído os Planos de Segurança das Barragens Jaburu I (Ubajara), Jaburu II (Independência) e Batalhão (Crateús).
Confira o Relatório completo abaixo!
