
O Comitê da sub-bacia do Médio Jaguaribe definiu, na sexta-feira (6), as operações de uso das águas dos açudes monitorados na região para o 1º semestre de 2026. A decisão ocorreu durante a 87ª Reunião Ordinária do colegiado, em Jaguaruana.
A operação 2026.1 ocorre em caráter provisório durante a quadra chuvosa (de fevereiro a junho), somente para abastecimento humano. Após esse período, acontecerá a Reunião de Alocação Negociada de Água dos reservatórios monitorados pela Cogerh.
Atualmente, a região do Médio Jaguaribe acumula 1,66 bilhão de m³, equivalente a 22,5% de sua capacidade total, valor classificado como “em estado de alerta”.

No contexto histórico, os dados do Ceará indicam média de 4,11 bilhões de m³ de aporte anual no período 1986-2023, com o ano corrente apresentando desempenho significativamente abaixo da média histórica, o que reforça a necessidade das medidas emergenciais em curso.
Destaca-se a situação crítica do Açude Adauto Bezerra (5,85%), para o qual as simulações indicam risco de esvaziamento ainda em abril de 2026. O Açude Nova Floresta apresenta 10,59% de capacidade, com projeção de volume residual de apenas 2,45% ao final de junho, situação que embasou a pauta extraordinária de elaboração do Plano de Gestão Proativa de Secas, homologado na mesma sessão.
Confira o percentual atual dos açudes e suas vazões aprovadas para 2026.1
- Riacho do Sangue (51,45%): 78 L/s
- Jenipapeiro (53,7%): 14 L/s
- Joaquim Távora (47,51%): 10 L/s
- Riacho da Serra (40,94%): 18,5 L/s
- Ema (40,53%): 25 L/s
- Figueiredo (19,87%): 10 L/s
- Nova Floresta (10,59%): 2 L/s
- Canafístula (10,57%): 28 L/s
- Potiretama (9,27%): 1 L/s
- Adauto Bezerra (5,85%): 25 L/s
- Santo Antônio (21,87%): 2 L/s
- Santa Maria (14,56%): 3 L/s
- Tigre (32,33%): 4 L/s
*A operação do Castanhão já havia sido definida durante o seminário com os Comitês dos Vales do Jaguaribe e do Banabuiú, sendo liberada uma média de 16 mil L/s
Formação da Junta Eleitoral para Renovação da Diretoria
Também houve a formação da Junta Eleitoral responsável por coordenar e supervisionar o processo de renovação da diretoria do CSBH Médio Jaguaribe para o biênio 2026/2028.
Na oportunidade, foram escolhidos para compor a junta: Daniel Linhares (AGEMA); Holanir Cabral (Associação de Fomento a Caprino Ovinocultura e Gado de Leite de São João do Jaguaribe – ASCOS); Antônio Gleudson Gurgel Candido (Sindicato dos Trabalhadores Rurais Agricultores(as) Familiares de Iracema); Angélica Maria Leite Jorge (Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima – SEMA).
A constituição desse órgão eleitoral interno visa garantir a regularidade, a transparência e a legitimidade do processo de escolha da nova composição diretiva, em conformidade com os princípios da gestão participativa previstos na Lei nº 9.433/1997 (Política Nacional de Recursos Hídricos).
Proposta de Formação da Comissão Gestora do Açude Figueiredo

A plenária deliberou pela formação da Comissão Gestora do Açude Figueiredo, o 5º maior do Ceará. A CG é o instrumento colegiado de participação social que reúne representantes dos usuários de água, do poder público local e da sociedade civil para acompanhar e deliberar sobre a alocação negociada de água do reservatório, especialmente em períodos de escassez.
Sua criação representa importante passo para a consolidação da governança participativa prevista na Política Estadual de Recursos Hídricos do Ceará (Lei nº 14.844/2010). Após discussões, foi decidido que seria enviado um ofício à Cogerh para que a Diretoria de Operações e Diretoria de Planejamento se posicione sobre o pleito.
Apresentação da Central Geradora Hidrelétrica
Além disso, o engenheiro civil Fabbylson Leão apresentou ao colegiado a Central Geradora Hidrelétrica (CGH) Castanhão, empreendimento de pequeno porte com potência instalada de até 1,3 MW, normatizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). O empreendimento foi viabilizado por meio de licitação pública promovida pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), sendo vencedor o Grupo Rodrigo Pedroso, com execução em 100% de capital privado.
A CGH está instalada na Casa de Válvula do Açude Castanhão (Véu da Noiva – DNOCS), no município de Alto Santo. O histórico de implantação registra 2,3 anos de construção (2019-2021), seguidos de 2,7 anos de paralisação (2022-2023) por falha na instalação da linha de transmissão pela concessionária Enel. A partir de 2024, a usina entrou em operação gradual: 23% da capacidade em 2024 (300 kW / 1,5 m³/s) e 62% em 2025 (800 kW / 4 m³/s).
A usina conta com duas unidades de geração (UG-1 e UG-2), com capacidade de 650 kW cada, totalizando 1,3 MW instalados. Atualmente, toda a energia produzida é consumida no próprio local por um centro de processamento de dados (Data Center), composto por contêineres operados 24 horas por dia, 7 dias por semana. O DNOCS recebe royalties de 4% sobre a receita proveniente da venda de energia.
O apresentador esclareceu que a CGH não retira volume adicional do reservatório — ela aproveita exclusivamente a água já destinada à perenização do rio —, sem comprometer as prioridades de uso estabelecidas na gestão hídrica da barragem. Após a apresentação, os membros do colegiado realizaram visita in loco às instalações da usina, conhecendo de perto a estrutura das duas unidades geradoras e os sistemas de transmissão.
Plano de Gestão Proativa de Secas do Açude Nova Floresta
Por fim, o Comitê aprovou o início formal do Plano de Gestão Proativa de Secas do Açude Nova Floresta, conduzido pela Comissão Gestora do referido reservatório junto ao Programa Cientista Chefe da Universidade Federal do Ceará.
A reunião foi encerrada com uma homenagem alusiva ao “Dia Internacional da Mulher” (8 de março).
