
O Eixão das Águas, uma das maiores obras de transferência de água do país, tem como principais objetivos a segurança hídrica, num horizonte de 30 anos, para abastecimento populacional e Industrial da Região Metropolitana de Fortaleza, a geração de emprego e renda através da irrigação, com destaque ao Projeto Tabuleiro de Russas, já em operação, e o abastecimento das populações ao longo da área de influência do seu percurso. O canal poderá conduzir a vazão máxima de até 22 m3/s, numa extensão total de 255 km.
Os trechos I, II e III do Eixão das Águas já foram inaugurados, sendo que o trecho I, que liga o açude Castanhão à barragem Curral Velho, em Morada Nova, com 55 km, já é operado e mantido pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos – COGERH desde 2005. O trecho II, com 45,9 km de extensão, parte do açude Curral Velho até a Serra do Félix, distrito de Beberibe, encontrando-se em fase de testes. O trecho III, com extensão de 66,3 km, da Serra do Félix até o açude Pacajus, foi inaugurado em março de 2009, juntamente com o trecho II, e estará em operação ainda este ano.
ESTUDOS E PROJETOS PARA O ABASTECIMENTO DE COMUNIDADES
Através do Contrato N0 11/2008/SRH, a Secretaria dos Recursos Hídricos – SRH está realizando estudos de viabilidade (trecho I) e projeto executivo (trechos I, II e III) para o abastecimento hídrico das populações das margens do Eixão das Águas, nos trechos I, II e III do canal. Este contrato tem o prazo de execução de seis meses, contados a partir da emissão da ordem de serviço que ocorreu em novembro de 2008.
Esta iniciativa tem como pressuposto a inclusão social das populações ao longo da faixa de influência do canal, através da garantia do acesso à água. Estarão contemplados no estudo os núcleos habitacionais situadas até a distância de 3 km em ambas as margens do canal. No caso dos setores II e III do Eixão, por ocasião dos seus respectivos projetos, já havia sido elaborado o estudo de viabilidade para o atendimento de água destas populações, sendo previsto nesse novo contrato a elaboração dos projetos executivos das obras de abastecimento, que também abrange o trecho I.
Conforme a característica dos núcleos populacionais e com base na análise de fontes alternativas, foram propostas algumas modalidades de solução para o problema de abastecimento dessas comunidades:
Soluções locais: cisterna ou poço;
Adutora a partir do canal + reservatório/rede de distribuição ou chafariz comunitário;
Derivação da adutora projetada para mais de um núcleo populacional;
Captação em rio perenizado.
Os principais critérios que foram considerados para a definição dessas alternativas foram: quantidade de pessoas beneficiadas; dispersão dos imóveis; distância e desnível para o canal; existência de energia elétrica; existência de fontes hídricas alternativas, entre outros.
Conforme relatório inicial do estudo contratado, no trecho I foram levantadas 28 comunidades, das quais 12 teriam solução de abastecimento através de adutora com captação no Eixão das Águas, com rede de distribuição ou chafariz comunitário, sendo as demais, abastecidas através de soluções alternativas de caráter local: poço, cisterna, etc.
No trecho II foram identificadas 22 comunidades, das quais oito deverão contar com adutora a partir do Eixão e 14 terão solução local para o abastecimento.
No trecho III existem 37 comunidades, conforme o relatório, sendo proposta a solução com adutora e sistema de distribuição, ou chafariz comunitário para 18 delas. A demais contariam com soluções locais.
Além do abastecimento das comunidades, existe a possibilidade de utilização do Eixão para a recarga do lençol freático no leito de rios interceptados pelo canal, em situações de extrema escassez hídrica. Alguns rios e riachos que podem ser beneficiados no trecho I são: Corcunda, Santa Rosa, Formoso e Livramento. Para esta ação, contudo, deverá ser avaliada a relação custo-benefício, fontes de recursos financeiros, considerando o alto custo de energia elétrica envolvido nesta transferência de água e a possibilidade de opções mais viáveis para o abastecimento. Vale ressaltar que nesta situação, a existência de barragens subterrâneas sucessivas contribuirá para uma maior eficiência no aproveitamento da água liberada nesses cursos.
USO ATUAL DO TRECHO I DO EIXÃO DAS ÁGUAS
Desde 2005 o trecho I está em operação, garantindo o abastecimento do perímetro irrigado Tabuleiro de Russas, em sua fase inicial e retiradas difusas para uso doméstico e consumo animal ao longo do trecho. As captações que necessitam de sifão ou tubulação seguem um padrão construtivo sugerido pela COGERH, visando manter a integridade física da obra, o que será redefinido com a implementação dos projetos propostos pelos estudos contratado pela SRH.
Conforme o Decreto Estadual N0 23.067 de 11 de fevereiro de 1994, as captações de água, cuja vazão é superior a 2.000 l/h estarão sujeitas à outorga. Até o momento já foram concedidas oito outorgas no primeiro trecho do canal, estando outros cinco pedidos em tramitação. Das outorgas concedidas, quatro foram para irrigação, duas para dessedentação animal, uma para abastecimento humano e uma para uso industrial.
Algumas comunidades já estão sendo abastecidas a partir do trecho I do Eixão das Águas, sendo as principais:
Baixa dos Cajueiros (Jaguaribara) – possui sistema de distribuição e tratamento de água, beneficiando 20 moradias.
Linha Base de Baixo (Morada Nova)
Associação do Projeto Mandacaru (jaguaribara)
Felipa de Baixo – já possui sistema de captação e reservatório elevado, além de um sistema de tratamento e distribuição de água de água que abastece 29 casas.
Xique-Xique – foi construído o reservatório elevado e sistema de distribuição que beneficia 8 residências, além de uma derivação que abastece 8 moradias em Umari.
Outros pequenos povoados ou moradores captam água manualmente diretamente do canal ou com auxílio de animais, carroças e carros-pipa. A COGERH conta com postos e equipe móvel de vigilância ao longo do canal, com o objetivo de proteger o patrimônio público, que conta com equipamentos de alta tecnologia instalados, além de orientar a população para o uso adequado e seguro daquele precioso condutor de água que atravessa o sertão seco do semi-árido cearense, onde a água finalmente tornou-se uma realidade.
Gianni Lima – Assistente da
Diretoria de Operações