Seminário na Cogerh debate avanços e desafios na gestão de águas subterrâneas no Ceará

Evento reuniu especialistas no auditório da Companhia, em Fortaleza, no dia 9 de abril

Com o objetivo de fomentar o debate técnico e científico sobre a gestão das águas subterrâneas no Ceará, a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) realizou, na última quarta-feira (9 de abril), o seminário “Desafios e Avanços na Gestão das Águas Subterrâneas no Ceará”. O evento aconteceu no auditório da sede da Companhia, em Fortaleza, reunindo especialistas, gestores públicos, pesquisadores e público em geral.

O Seminário contou com a presença de pesquisadores de São Paulo e representantes do Serviço Geológico do Brasil (SGB), além de especialistas locais. Cerca de 170 pessoas acompanharam as apresentações.

Para Zulene Almada, hidrogeóloga e Gerente de Estudos e Projetos da Cogerh, o evento foi de fundamental importância para o Estado. “Avalio o evento como de extrema importância, especialmente se considerarmos as regiões que são abastecidas exclusivamente por água subterrânea. Isso já justifica a realização deste debate”, afirmou.

“São 48 municípios no Ceará que são abastecidos exclusivamente por água subterrânea em todo o Estado e em condições de estresse hídrico, esse número avança para 103″, comentou Zulene Almada. Esse dado reforça a importância estratégica dos aquíferos para a segurança hídrica do Ceará. Além disso, a Companhia monitora, atualmente, cerca de 556 fontes e aquíferos em todo o território cearense.

Zulene destacou a qualidade dos debates proporcionados pela presença de especialistas na área: “Conseguimos pesquisadores de São Paulo e convidamos também representantes do Serviço Geológico do Brasil, além de especialistas na área que atuam no Ceará . Foi muito importante debater os muitos desafios que temos pela frente.”

Um dos temas abordados no seminário foi a necessidade de regulamentação e fiscalização da perfuração de poços. Segundo os especialistas presentes, ainda existe uma facilidade preocupante para a captação de água subterrânea sem os devidos critérios técnicos.

“Precisamos discutir essa “facilidade” que se tem de captar água subterrânea. Construir um poço, evidentemente, é mais rápido, dependendo da profundidade. Um poço não muito profundo é uma obra relativamente mais fácil de executar, especialmente em aquíferos rasos”, explicou Zulene Almada.

O seminário também abordou o papel das águas subterrâneas no contexto das mudanças climáticas e sua importância estratégica para a segurança hídrica do estado, especialmente em períodos de escassez prolongada.

Palestras

A abertura oficial do seminário contou com a participação do diretor-presidente da Cogerh, Yuri Castro, que destacou a relevância do monitoramento das águas subterrâneas para a segurança hídrica do Ceará. Em sua fala, Yuri ressaltou a importância estratégica desse recurso hídrico, que garante o abastecimento de diversos municípios cearenses, especialmente em períodos de escassez. Ele também enfatizou a necessidade de diversificar a matriz hídrica do estado, fortalecendo o papel dos aquíferos como fonte complementar e resiliente frente às variações climáticas.

Em seguida, Robério Bôto Aguiar, pesquisador em Geociências do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e doutor em Hidrogeologia pela UFC, apresentou um panorama institucional e técnico sobre o “Serviço Geológico do Brasil”.

Outro destaque da manhã foi a palestra sobre a “Rede Integrada de Monitoramento de Água Subterrânea – RIMAS”, conduzida pelo Idembergue Barroso, também pesquisador do SGB e doutor pela UFC. Encerrando o período matutino, René Lima de Castelo Branco, hidrogeólogo da Associação Profissional dos Geólogos do Ceará, abordou aspectos técnicos e operacionais na construção de poços tubulares.

No período da tarde, o seminário teve continuidade com a apresentação do Dr. Didier Gastmans, pesquisador em Geociências e doutor pela UNESP, que discorreu sobre o “Monitoramento com Isótopos Ambientais nas Bacias do Araripe e Potiguar/CE”. A palestra seguinte foi de Claudia Varnier, também da UNESP, que falou sobre a presença e impactos do “Nitrato em Águas Subterrâneas”.

Dando sequência à programação, o pesquisador Juan Azevedo, doutorando em Hidrogeologia pela UFC, abordou a “Aplicação de Modelos Numéricos e Recarga Gerenciada”. Encerrando o evento, Quesado Júnior, hidrogeólogo da Cogerh e mestre em Hidrogeologia pela UFC, apresentou os desafios e avanços relacionados às “Outorgas de Águas Subterrâneas no Ceará”.

Convênio Cogerh- UNESP fortalece gestão das águas subterrâneas

Um dos destaques do seminário foi a apresentação dos resultados parciais do convênio firmado entre a Cogerh e a Universidade Estadual Paulista (UNESP). O acordo, com duração de 36 meses, visa aprofundar o conhecimento sobre os aquíferos cearenses, com foco nas regiões estratégicas do Cariri e Apodi.

“Em relação ao convênio, são três anos de parceria com a UNESP. Eu coordeno pela COGERH e o Prof. Didier Gastmans coordena pela UNESP”, explicou Zulene.

O objetivo principal é avaliar a situação atual dos aquíferos em regiões prioritárias. “A ideia é realmente aprofundar o conhecimento da recarga dos aquíferos na região do Cariri e na região da Chapada do Apodi” detalhou.

O convênio prevê a continuidade dos estudos após o diagnóstico inicial. “A ideia é que possamos, com esses dados ambientais, dar continuidade a estudos em aquíferos que consideramos importantes aqui no estado“, completou Zulene.

Confira as apresentações do evento aqui!

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