Um dos temas abordado foi a necessidade de oferecer água de melhor qualidade para a população

Fortaleza. Reunir conhecimento científico e sugestões para futuras ações governamentais associadas à gestão das águas. Esse foi um dos objetivos do “Seminário Internacional: Governança da água, a bacia hidrográfica e os ecossistemas”, evento que ocorreu de 05 à 07 de novembro, no Seara Praia Hotel, em Fortaleza. Entre os palestrantes e debatedores, especialistas locais, nacionais e também internacionais na área de recursos hídricos.
O evento, promovido pelo Governo do Estado, marcou também os 21 anos de criação da Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH) e da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra) e os 15 anos de fundação da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). Apesar de o total de inscritos ter chegado a 600 pessoas, o acesso ao público foi liberado. Segundo o presidente da Cogerh, Francisco José Coelho Teixeira, a idéia era que profissionais locais participassem do evento mais nas funções de debatedores e ouvintes para que pudessem assistir as exposições dos convidados de outras regiões. “Nada melhor do que trazer pessoas de fora para a gente se atualizar no mundo”, acredita.
Temas
Um dos temas abordado no evento, conforme Teixeira, é a necessidade de oferecer uma água de melhor qualidade para a população, tanto do ponto de vista do tratamento e da distribuição do líquido quanto do acesso aos mananciais. “Temos que nos preocupar com a gestão da qualidade da água. A população não quer só água em quantidade, mas com qualidade”, observa ele.
Para isso, o presidente da Cogerh diz que é necessário um trabalho que envolva vários setores da administração pública, tais como o de políticas urbanas, que deve trabalhar os serviços de coleta de esgoto e gestão do lixo; de agricultura, no incentivo a técnicas ambientalmente corretas; de meio ambiente, no combate ao desmatamento e à desertificação; e de educação, com enfoque na questão ambiental. Além dessa gestão articulada, Teixeira lembra que é preciso ampliar as discussões com a sociedade civil. “A governança não é só atribuição de governo”, diz.
Um dos palestrantes do seminário foi o professor do Departamento de Engenharia Hidráulica Ambiental da Universidade Federal do Ceará (UFC), José Nilson Bezerra Campos, que também participou do comitê organizador do evento. Ele falou dos Planos de Gerenciamento de Bacias Hidrográficas do Ceará, dos quais é consultor da elaboração dos termos de referência.
A idéia dos planos é discutir a gestão das bacias com as pessoas diretamente interessadas nos mananciais, incluindo representantes da sociedade civil e do poder econômico. Segundo o professor, a participação popular na tomada de decisões pode trazer ganhos como a melhor qualidade da água, menos impactos ambientais e menos conflitos pelo uso da água.
Quanto às mudanças climáticas em nível global, que também foram discutidas no evento, Bezerra lembra que haverá impactos na gestão na qualidade e da quantidade de águas disponíveis, mas não se sabe como essas mudanças se darão em cada região. O professor lembra que à medida que os recursos são mais utilizados, tornam-se mais escassos e que a população deve usar responsavelmente a água. “A busca por um ponto de equilíbrio é de toda a sociedade”, finaliza.