
A Cogerh promoveu nesta sexta-feira (10) o 2º Seminário do Projeto “
Capacidade de Suporte do Açude Castanhão”, de forma híbrida, na sede da Companhia, para discutir o desenvolvimento de modelo sustentável para a atividade de piscicultura no maior reservatório para múltiplos usos da América Latina.
O projeto está sendo desenvolvido pela Companhia com apoio do Programa Cientista Chefe da Fundação Cearense de Apoio a Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP), em parceira com Universidade Federal do Ceará (UFC).
A abertura do evento foi feita pela assessora de inovação da Companhia, Inah Abreu, para cerca de 100 participantes (presenciais e online), com representantes da Funceme, SRH, Funcap, UFC, Comitês do Médio e do Baixo Jaguaribe, dentre outras instituições.

O Seminário contou com três apresentações: Histórico da Qualidade de Água no Castanhão, do Dr. Mário Barros, analista em recursos hídricos da Companhia; Resultados parciais do Projeto, do Dr. Iran Lima Neto, Professor Associado da UFC e Coordenador do Projeto; e Quantificação da Contribuição de Nutrientes da Piscicultura no Castanhão, do Dr. Fernando Kubitza, Consultor em Piscicultura e Sócio-diretor Geral da Acqua & Imagem Serviços.

Mário explicou o processo de perfilagem com uso de sondas, explicando as etapas da coleta e análise do material recolhido mensalmente. Durante esse período, são feitas análises nictemerais, em que a equipe realiza a coleta de água a cada 3 horas por pelo menos 24h para estudar a qualidade de acordo com horários diversos.
“Temperatura elevada, média de chuvas abaixo de 600m, pressão eutrófica, alta produção de fitoplâncton, tudo isso afeta a qualidade de água do reservatório”, expôs o analista.
No gráfico abaixo, é possível visualizar a relação da mortandade de peixes (faixa vermelha) com o volume do açude (linha azul) e a quantidade de fósforo (quadrado vermelho).
“Estamos na fase de cenarização para depois aplicar o modelo. O projeto entrega à sociedade um banco de dados sobre qualidade hidrológica e de sedimentos, além de um modelo matemático que pode servir para outros reservatórios e a ampla divulgação científica”, explicou Iran Neto sobre a atual etapa do estudo.

Para o secretário do
Comitê da sub-bacia do Médio Jaguaribe (onde fica o Castanhão), Netinho de Daniel, os dados expostos são de grande auxílio para a tomada de decisões do colegiado durante as
alocações negociadas de água do reservatório.
“Esse projeto é extremamente importante para o Comitê para que tenhamos informações necessárias para distribuir a água de forma compartilhada e correta, além de entender até que ponto a produção de tilápia no Castanhão pode chegar. É preciso haver um teto de produção para evitar perdas e para assegurar suas rendas e qualidade de vida”, disse o membro do Comitê.
O 1º seminário foi realizado em agosto de 2022, em
Jaguaribara, no Vale do Jaguaribe, onde os mesmo palestrantes compartilharam seus trabalhos à comunidade produtora local.