
Orós. Cerca de 10 mil pessoas visitaram, ontem, o Açude Orós, o segundo maior do Ceará, para assistir ao espetáculo da queda d’água, no sangradouro do reservatório. A estimativa é da Prefeitura Municipal, confirmada por funcionários do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs) que administram a barragem. Desde o último dia 7 que o Orós transborda e, neste domingo, conseguiu atingir o nível de 1,12 metro.
Durante a semana passada a informação sobre a sangria do Açude Orós circulou em todo o Ceará, contribuindo para atrair milhares de pessoas. A maioria dos visitantes é da região Centro-Sul, que chega em veículos particulares e fretados, ônibus e topiques. No entanto, vem gente também do Cariri e até de municípios do vizinho Estado da Paraíba.
Os turistas não cansam de olhar para a queda d’água no sangradouro. Eles ficam circulando sobre a parede do reservatório e muitos disputam espaço no mirante do vertedouro, onde fica a estátua do ex-presidente Juscelino Kubitschek. Não param de tirar fotos com máquinas digitais e celulares. “Quero guardar de lembrança”, disse a estudante Karine Rodrigues, da cidade de Cedro. “É a primeira vez que vejo o Orós sangrar”.
Os visitantes também ficam ao lado do hotel do Dnocs, onde dá para ver o sangradouro de um ângulo quase frontal. Muitos param os carros no acesso ao reservatório, complicando mais ainda o trânsito intenso de veículos. Outros aproveitam para passear de barco e também de lancha sobre o imenso reservatório.
A sangria amplia o movimento nos bares, restaurantes, balneários, contribuindo para o incremento da economia local. “Orós é uma cidade turística e nesta época do ano há um aumento elevado de visitantes”, observa a prefeita, Fátima Bezerra. A Prefeitura comemora o aumento do fluxo turístico.
Guardas municipais e salva-vidas da Prefeitura e funcionários do Dnocs tiveram mais um dia intenso de trabalho para controlar o fluxo de veículos e de visitantes. “A nossa preocupação é com as áreas de risco”, explicou o gerente local do Dnocs, Francisco Germano Moreira. “Muitos bebem e ficam eufóricos”, comenta.
A última vez que o Orós sangrou foi em fevereiro de 2004, prolongando-se até julho. Na vazão máxima, chegou a alcançar a altura de 1,95 metros. Neste ano, o açude recebeu uma recarga de 40%, pois antes do período chuvoso acumulava 60% da capacidade máxima, que é de 1,9 bilhões de metros cúbicos de água.
SAIBA MAIS
Início
A construção do Açude Orós foi iniciada em 1958, pelo então presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. Em 1960, ocorreu uma grande cheia. O Rio Jaguaribe transbordou e provocou o arrombamento do reservatório. O presidente JK determinou o reinício da obra e o açude foi inaugurado em janeiro de 1961. A construção do então maior reservatório do Nordeste foi fruto de uma luta da região. A idéia na época era de que o açude iria minimizar os efeitos da seca. O presidente comprou a idéia e construiu a obra que, tem capacidade de acumular quase dois bilhões de metros cúbicos.
Sangradouro
O sangradouro do Açude Orós foi iniciado em 1963 e concluído em 1965. Nas cheias de 1974 e 1985 chegou a transbordar com uma lâmina superior a cinco metros. Depois, o reservatório sangrou num período atípico, em dezembro de 1989. Após esse ano, foram necessários exatos 15 anos para sangrar novamente.