Potencial de irrigação do Canal do Trabalhador será ampliado

No Canal do Trabalhador, 38 pequenos produtores cultivam áreas irrigadas com água do canal. Liberado da tarefa de abastecer Fortaleza…
Depois de passar por racionamentos de água, Fortaleza garantiu sua segurança hídrica com a construção do Canal do Trabalhador, em 1993, época do governo Ciro Gomes. Mas, com a entrega dos trechos II e III do Eixão das Águas, prevista para 2010, a Região Metropolitana passa a ser abastecida pelo Eixão, o que libera o Canal do Trabalhador para outros usos. “Ele vai servir mais para atender às comunidades rurais localizadas em sua extensão e à agricultura irrigada, um potencial ainda pouco explorado”, afirma o presidente da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh), Francisco Teixeira. A Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA) apresentou ao Ministério da Integração um projeto para irrigar três mil hectares ao longo do canal que percorre 102,5 quilômetros entre Itaiçaba e Pacajus. De acordo com Wanderley Guimarães, gerente da célula de áreas irrigadas, o Canal do Trabalhador tem potencial para irrigar sete mil hectares. “O maior problema lá é a questão fundiária. Cerca de 70% das margens pertencem a três grandes empresários. Precisamos estudar para ver se é preferível desapropriar uma área para os agricultores de base”, diz Wanderley. Atualmente, 1.186 hectares são irrigados na margem do canal. São 38 usuários cultivando áreas pequenas, entre 0,01 hectare e cinco hectares, num total de 330 hectares, e quatro usuários ocupando 820 hectares de terras irrigadas. Na região, cultiva-se cajueiro, melão, feijão, capineiras e outros frutas. “Lá você tem uma infinidade de pequenas adutoras abastecendo populações locais. Pouca gente sabe disso”, diz Francisco Teixeira que aposta na transformação da área numa “fronteira agrícola” com foco no pequeno produtor. “A irrigação empresarial é muito importante para a exportação de fruta no Ceará, mas temos que investir numa agricultura familiar de técnica mais moderna, por que não?”, diz Francisco. Projetos de abastecimento humano e de irrigação têm um custo elevado permanente, a conta de energia. “O bombeamento na hora da captação é caro. Quem vai pagar? O Estado? A Cogerh? Não é tão simples assim”, questiona Marx Carrieri Monteiro, presidente do Comitê da Sub-Bacia Hidrográfica do Médio Jaguaribe. A sustentabilidade dos projetos é uma questão ainda não definida. Por enquanto, nos sistemas de abastecimento humano de comunidades ao longo do Eixão e do Canal do Trabalhador a água é gratuita. A indústria, os grandes irrigantes e a Cagece pagam pela água que utilizam. Para Francisco Teixeira, para ter sustentabilidade, o ideal é que sempre se pague pela água usada. “O que tem que ter é o conceito de tarifa social, mas não é bom que seja tudo de graça”, diz. De acordo com Francisco, nos dessalinizadores que cobram R$ 0,20 por lata, a conservação é muito melhor do que nos dessalinizadores gratuitos. “Nas pequisas feitas, o pessoal banhava cavalo e lavava roupa com água dessalinizada, mais cara que a mineral”. RESUMO DA SÉRIE A série tratou do abastecimento humano, ainda precário no Eixão. Ontem, a matéria mostrou a falta de projetos para a agricultura. EMAIS – Na década de 90, o Canal do Trabalhador salvou Fortaleza do racionamento cinco vezes. – O açude Benguê abastece o município de Auiaba graças a uma adutora construída pela Secretaria de Recursos Hídricos (SRH). O órgão também montou a estação de tratamento, o reservatório e a rede de distribuição. Mesmo assim, a falta d’água é constante. A Prefeitura, que optou por não cobrar pela água, não tem recursos para a manutenção e para os insumos do tratamento. SAIBA MAIS O CANAL DO TRABALHADOR – Construído em 1993, tem 102,5 km, partindo de Itaiçaba e terminando em Pacajus. A obra foi feita para resolver as falhas de abastecimento da Região Metropolitana. – Com a entrega dos trechos II e III do Eixão das Águas, o Canal do Trabalhador assume nova vocação: possibilitar o incremento da agricultura familiar e das áreas irrigadas em suas margens.   Mariana Toniatti marianatoniatti@opovo.com.br 19 Ago 2009 – 00h46min

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