No Tabuleiro de Russas, 82 quilômetros de canal a céu aberto trazem água do Açude Castanhão, em Morada Nova, até as propriedades. O líquido é distribuído por gravidade a cada um dos irrigantes, por meio de 68 km de tubulações

A ´revolução verde´ no Estado só foi possível graças ao acesso a um bem vital na agricultura: a água. Sem ela, nenhuma produção seria viável. Na fruticultura, então, é condição indispensável. Do plantio à colheita, a água está em praticamente todo o processo de produção. Nos packing-houses, ao serem lavadas, as frutas recebem tratamento para realçar sua qualidade, antes de serem embaladas para transporte.
Pequenos irrigantes, como Jackson, são exemplos de como o acesso a água pode transformar economicamente uma região. No Tabuleiro de Russas, 82 quilômetros de canal a céu aberto trazem água do Açude Castanhão, em Morada Nova, até as propriedades. ´A água é distribuída por gravidade a cada um dos irrigantes, por meio de 68 km de tubulações´, explica Vandemberk Oliveira.
Segundo especialistas, no último século, a demanda por água aumentou seis vezes, enquanto que a população cresceu três vezes. O grande consumidor, no Brasil e no mundo, é a agricultura. O reconhecimento de que a água é um recursos natural cada vez mais finito impõe a necessidade de sistemas de produção mais eficientes, a fim de garantir a sustentabilidade da agricultura irrigada.
O uso eficiente da água na irrigação é essencial para garantir que a escassez não limite o desenvolvimento do País. Pensando na preservação, a Companhia de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Estado (Cogerh) cobra as tarifas pelo uso da água nos perímetros. ´Há uma tarifa variável e uma fixa, com valores distintos por porte de irrigante´, explica.
A primeira, é cobrada pelo rateio e cobre os custos variáveis de energia é água, sendo de R$ 8,00 por cada mil metros cúbicos, para pequeno produtor, e de R$ 10,60 para empresários. A tarifa fixa é cobrada por tamanho da área irrigável, sendo R$ 10,00 para cada hectare de pequeno produtor e R$ 12,00 por cada hectare de lote empresarial. ´Como estímulo, no primeiro ano, o Distrito só cobra 30% da área irrigável. No segundo ano, passa para 60% e atinge os 100% no terceiro ano de ocupação´. (SC)
FIQUE POR DENTRO
Irrigação ganhou força na década de 1970
Diferentemente de países como Chile, Espanha e Israel, onde a viabilidade do agronegócio depende essencialmente da agricultura irrigada , o Brasil desenvolveu-se tendo por base a atividade de sequeiro. Com exceção do arroz irrigado do Rio Grande do Sul e parte da horticultura, a irrigação começou a ganhar relevância apenas a partir da década de 1970.
No final da década de 1990, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) passou a encarar a agricultura como um negócio. Até 1999, o trabalho de combate a escassez de água no Nordeste passava pela criação dos perímetros irrigados mas não no atual modelo. A concepção do órgão era fazer uma grande colonização ou reforma agrária.
