Festa. Orós sangra há dois meses

O açude transbordou no início de abril e ainda não parou, mesmo com o fim da estação chuvosa
Hoje é dia de festa no Centro-Sul. O açude Orós, segundo maior reservatório do Ceará, está transbordando há dez semanas. A sangria segue movimentando o turismo e anima a população. A vazão, ontem, era superior a 60 mil litros por segundo: água que pereniza parte do rio Jaguaribe e desce para o açude Castanhão, em Alto Santo. A previsão da Gerência da Bacia do Alto Jaguaribe é que 2,5 mil pessoas visitem o Orós neste fim de semana. Já a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) calcula que a sangria deve continuar pelos próximos dez dias e que o manancial chegará a janeiro com 75% de sua capacidade. O Orós começou a sangrar em 4 de abril. E continua com a água de açudes que transbordam em afluentes do Jaguaribe, além de riachos que desaguam no rio. Além disso, porque o Castanhão passou a atender antigas demandas do Orós. É o que explica o presidente da Cogerh, Francisco Teixeira. O Orós hoje está aliviado da demanda do Baixo Jaguaribe, diz. Antes do Castanhão, o açude abastecia parte das bacias do Alto, Médio e Baixo Jaguaribe. Depois, deixou de fornecer para o Baixo. Teixeira também lembra que as chuvas foram acima da média na região. O açude está trabalhando em cotas mais altas, completa o presidente. Conforme dados da Cogerh, em períodos de estiagem, a liberação de água no Orós era, em média, de 14 mil litros por segundo. A média foi reduzida a cinco mil. O alívio representa um armazenamento maior até o início da próxima estação chuvosa. A companhia prevê que o reservatório termine o ano com 1,5 bilhão de metros cúbicos: cerca de 75% de sua capacidade. A previsão já leva em conta a evaporação. De acordo ainda com a Cogerh, a maior demanda do Orós, atualmente, é o fornecimento para o perímetro irrigado Icó/Lima Campos. A sangria atual teria capacidade para abastecer o Canal da Integração totalmente. A capacidade do Canal da Integração é 22 mil (litros por segundo). Dava para encher três vezes, diz, referindo à sangria de 62 mil litros. O Orós também pereniza o rio Jaguaribe em 109 quilômetros, até o Castanhão. A expectativa é de mais festa e turismo na região. A gerente da Bacia do Alto Jaguaribe, Vandiza Sucupira, adianta que cerca de 2,5 mil pessoas vêm visitando o açude a cada fim de semana. São turistas e curiosos da região e de outras localidades. Ver água no sertão sempre é festa, seja em açude ou chuva. Se pudesse sangrar o ano todo, a comunidade queria, comenta. As barracas no entorno do reservatório, ela diz, também recebem um bom movimento, animado ao som de muito forró. Ainda conforme Vandiza, muitas pessoas fazem questão de registrar o fato para mandar botar na Internet. O pessoal diz que o Iguatu é o centro do Centro-Sul. Mas deixa de ser quando o Orós está sangrando, brinca. E-MAIS A lâmina, ontem, era de 31 centímetros. No ápice do sangramento, ainda durante o período de chuvas, o Orós derramava 600 mil litros por segundo, aproximadamente. O volume exato do Orós é de 1,94 bilhão de metros cúbicos. Um metro cúbico equivale a mil litros. O Castanhão, com capacidade para 6,7 bilhões de metros cúbicos, foi inaugurado em 2003. Em 1994 e de 1997 até 2000, a água do Orós chegou a Fortaleza por meio do Canal do Trabalhador. Francisco Teixeira lembra que, atualmente, isto não é necessário. Faé (Quixelô) e Várzea do Boi (Tauá) são os açudes que continuam sangrando para dentro do Orós, por meio de afluentes do rio Jaguaribe. O volume armazenado nos 129 açudes monitorados pela Cogerh é superior a 85,8%. O antigo recorde, de 2004, era de 85,55%.

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