Erosão em açude esta a 40 metros da parede de sangria

Estão sendo realizadas medidas alternativas para conter o avanço da erosão no Açude Boqueirão, em Sobral
Sobral. As imagens da crescente erosão no Açude Boqueirão, distante cerca de 15 quilômetros desse município, são impressionantes. Desde quando o Diário do Nordeste registrou o primeiro sangramento do açude, no último dia 4, até ontem, 12 dias depois, os blocos de barro que despencam a todo momento avançaram quase 100 metros. Mas, ao que tudo indica, a população, que até então estava apreensiva com problemas de grandes proporções, parece que pode começar a se tranqüilizar. No local, cerca de 50 homens estão trabalhando dia e noite implementando medidas alternativas de contenção e controle da erosão que, até ontem, estava a cerca de 40 metros da parede da sangria. Dentre as intervenções de emergência, estão sendo colocadas lonas, pedras, colchões reno (malha de arame preenchida com pedras), construção de um dique fusível, espécie de sangria alternativa para o açude. O secretário de Infra-Estrurura de Sobral, Irismar Azevedo Filho, explicou algumas causas dos problemas no Boqueirão. “Todo açude em primeira sangria, para que as águas façam seu caminho tem erosão. A plataforma de sangria vai até determinado ponto, depois é com a natureza, sendo a tendência da água procurar seu riacho de origem. No caso do Boqueirão, aconteceu uma imprevisibilidade, que foi o encontro das águas com um veio de terreno que chamamos de ´Silte Arenoso´, terreno que tem pouca resistência à ação das águas”, explicou o secretário. De acordo com Irismar Azevedo, esse tipo de solo provoca o que especialistas chamam de “erosão regressiva”, que acontece em terreno natural, entra na plataforma de construção, gerando o efeito dominó. “A água causa erosão, a erosão cria cachoeira, que aumenta velocidade e o potencial de energia da água. E essa agressividade vai causando erosão. Como é regressiva, caminha em direção ao sangradouro do açude”, destacou Azevedo. Diante da situação preocupante, técnicos, especialistas e consultores estão monitorando o açude na tentativa de conter o problema. “Quando diagnosticamos que a erosão tinha passado da situação considerada normal, começamos a trabalhar com contenção de pedras e sacos de areia. Para somar alternativas, chamamos um técnico da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra) e o consultor Antônio Miranda, para traçarmos algumas vertentes de ações imediatas caso a situação progrida”, disse. Entre as alternativas citadas por Azevedo, uma delas é a proteção com lonas, conhecida como “talude erodido”, que forma uma espécie de deslizamento, quebrando a energia da água e evitando o contato com o solo. Na frente dessas lonas, estão sendo colocadas pedras com o objetivo de barrar as cachoeiras, formando dois espelhos de água (remansos). Outra frente de trabalho é a colocação dos “colchões reno”, popularmente conhecidos como “gabiões”. Trata-se de uma espécie de malha, que deve ser coberta com pedras, e está sendo estendida ao longo da alvenaria (vertedouro) da sangria, formando um tipo de muro de pedras, tanto no sangradouro, quanto nas cabeceiras. “Essas medidas visam diminuir a velocidade, a potência de energia e, logicamente, a agressividade da água. Assim, a profundidade da erosão não aumenta. A lona evita a progressão da erosão na horizontal e os espelhos de água garantem que não haja aprofundamento. Com o gabião, que é utilizado, inclusive, na contenção de dunas, caso a erosão encoste no sangradouro, o muro de pedras evitará danos”, explicou. Outra ação é a construção do “dique fusível”. “Estamos abrindo um canal de dez metros de largura antes do sangradouro, para jogar água lá no final. Daí temos a comporta feita de sacos de areia dentro do espelho d´água, para controlar a quantidade de água”. Natercia Rocha Repórter SEM TEMOR Secretário aposta nas medidas paliativas Sobral. Desde que se espalhou por Sobral a notícia da crescente erosão do Açude Boqueirão, muitos boatos passaram a atemorizar a população. Principalmente porque, cerca de 15 quilômetros adiante, fica outro açude, chamado Mucambinho, que passa dentro da Fábrica de Cimento do Grupo Votorantim e margeia os bairros Vila União, Padre Palhano e Dom José. Mas o secretário de Infra-Estrutura do município, Irismar Azevedo, garante que, com as medidas de emergências providenciadas no local, não há o que temer. “As enchentes do ano de 1974, cuja força das águas chegou a arrombar a parede do Açude Mucambinho, causando prejuízos, ainda estão no imaginário popular. Mas a distância do Boqueirão para o Mucambinho são suficientes para, caso haja algum problema, despraiar o volume das águas. Elas chegariam no Mucambinho amortizadas”, disse Azevedo. De acordo com o secretário, as obras do Parque Municipal do Mucambinho, de drenagem, terraplenagem e pavimentação, que beneficiará diversos bairros da cidade, também amenizam os problemas. “No Boqueirão, se estou em cima da parede, a distância entre esse ponto e a sangria é de 2,3 metros. No Mucambinho, é de 4,5 metros. Ele tem altura para receber lâmina. Teria conseqüências? Sim, como houve esses dias, a água entra em algumas casas e as pessoas precisam ser removidas. Mas não é a catástrofe que muitos imaginam que pode acontecer”, afirmou o secretário. E continuou. “Quando fizemos os cálculos para as obras do Parque, calculamos o redimensionamento do canal baseado no pico, que foi na década de 70. Isso quer dizer que, se isso chegasse acontecer, o alargamento do canal, que está com 70% das obras terminadas, suportaria a vazão dentro de sua caixa”, acredita. Até ontem, a lâmina de sangria do Açude Boqueirão, que há cerca de duas semanas chegou a medir 40 cm, estava com dois centímetros. “Vamos supor que chegasse ao caso de precisar arrombar o sangradouro do açude para poder aliviar. Antes, vamos comunicar à população a respeito de todas as ações. Mas estamos trabalhando e estou convicto de que vamos conseguir. A coerência diz que vai funcionar”, garante Irismar. Chuvas no Ceará Cidade – mm Saboeiro 140 Iguatu 79 Granjeiro 91 Jucás 87 Várzea Alegre 83 Baixio 50 Farias Brito 46 Caririaçu 45 Granja 40 Lav. da Mangabeira 40 Crato 39 Nova Olinda 38 Pereiro 37 Juazeiro do Norte 36 Santana do Cariri 31 Assaré 30 Independência 26 Altaneira 25 Jaguaribe 23 São Benedito 23 Limoeiro do Norte 20 Mombaça 20 Quiterianópolis 19 Morada Nova 19 Ibiapina 18 Icó 18 Cariré 17 Reriutaba 17 Coreaú 15 Frecheirinha 15 Quixelô 14 Solonópole 13 Nova Russas 13

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