Criação de tilápia é retomada no Centro-Sul

De acordo com laudo da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) houve uma reversão térmica….
Após mortalidade de peixes em açude de Várzea Alegre, pescadores comemoram a retomada das atividades   Várzea Alegre. Seis meses depois da paralisação total do projeto de criação de tilápias em gaiolas, no Açude Olho D´Água, na localidade de Barreiros, zona rural deste município, os aqüicultores retomaram a produção e o clima na comunidade agora é de trabalho e esperança. Inicialmente, a venda de 500 quilos de pescado por semana é feita no mercado local, mas a perspectiva é de expandir para toda a região do Cariri também.   Em junho passado, ocorreu a morte de 90 mil peixes, que estavam em 75 tanques-redes, causando um prejuízo em torno de R$ 150 mil — o problema foi mostrado em reportagem do Diário do Nordeste. Foram 23 toneladas de pescado jogadas fora. De acordo com laudo da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) houve uma reversão térmica, no açude local, provocando redução drástica dos níveis de oxigênio na água e a mortandade dos peixes.   Apoio  Na época, o clima era de desolação, mas os produtores não se abateram e retomaram a produção. Contaram com o apoio da agência do Banco do Nordeste (BNB), em Lavras da Mangabeira, que prorrogou por um ano o vencimento de uma das parcelas do financiamento do projeto, no valor de R$ 18 mil. Além disso, o banco liberou uma verba extra de custeio no valor de R$ 40 mil para a compra de ração e alevinos.   Os produtores também contaram com o apoio da empresa Aquanort, de Russas, que doou 21 mil alevinos de tilápia. “A morte dos peixes deixou todos nós atordoados, sem saber o que fazer, mas, aos poucos, retomamos o nosso trabalho”, explicou o presidente da Associação dos Aqüicultores do Açude Olho D´ÁGua, Antônio Luís Pereira. “Agora o nosso desejo é voltar à quantidade de produção anterior”.   O grupo de 20 aqüicultores permanece unido e não houve desistência. “Nós acreditamos nesse projeto para melhorar a nossa renda familiar”, disse o produtor rural, Antônio Alves dos Santos. “A retomada da produção foi o melhor presente de Natal que recebemos”. Saiu a tristeza e ficaram a coragem de trabalho e a esperança em dias melhores. Antes da ocorrência da mortandade do pescado, em média, cada família recebia R$ 350,00 por mês. Outra parte do lucro era aplicada em capital de giro e na manutenção do projeto.   O grupo permaneceu seis meses sem renda. “Foi um período difícil, mas estamos superando as dificuldades”, observa o jovem produtor, Dancleide Pereira, que faz o acompanhamento diário do nível do oxigênio na água. “São três leituras por dia”, disse Pereira. “É como diz aquele ditado popular que gato escaldado tem medo de água fria”. Os aqüicultores compraram o equipamento para aferição do nível de oxigênio por R$ 3.500,00. “É um investimento que fizemos para prevenir um novo problema”, observa o presidente da Associação, Antônio Luís Pereira.   Nível de produção Agora, os produtores trabalham para retomar o nível de produção anterior de 1.500 quilos por semana. “Em breve, eles vão alcançar esse índice. É uma questão de tempo”, observa o agente de desenvolvimento do BNB, José Wilson Araújo, que acompanha o projeto desde o início. “O grupo está motivado e trabalhando duro”. Araújo explicou que o BNB dá total apoio porque acredita na viabilidade técnica da produção de tilápia em cativeiro. “Há dificuldades, mas o mercado é amplamente favorável”.   A mortandade verificada no Açude Olho D´Água, em Várzea Alegre, serviu de alerta para outros dois projetos também financiados pelo BNB, nos municípios de Lavras da Mangabeira, no Açude do Rosário, e em Cedro, no Açude Ubaldinho. Agora os produtores adquiriram o oxímetro, um equipamento que faz a leitura imediata dos níveis de oxigênio na água do criatório. Implantado em janeiro do ano passado, o projeto de criação de tilápia em tanques-redes foi financiado pelo Banco do Nordeste.   Foram investidos R$ 230 mil. Os produtores já quitaram duas parcelas nos valores de R$ 13 mil e R$ 18 mil. Participam 20 famílias de produtores. O Açude Olho D´Água foi inaugurado em 1998 e tem capacidade de acumular 21 milhões de metros cúbicos. A atividade produtiva tem a assistência técnica da Ematerce, da Secretaria de Agricultura do município e apoio da Cogerh.   O projeto do Açude Olho D´Água começou a produzir em julho de 2007. Depois de enfrentar dificuldades iniciais, os produtores vinham obtendo bons resultados. A produção média era de oito toneladas por mês e o peso médio do pescado era 800 gramas. A renda mensal de cada família era de R$ 350,00, em média.

© Copyright 2025 | GETIN

Rolar para cima