
O Comitê da sub-bacia do Baixo Jaguaribe realizou, nesta quinta-feira (12), na EEEP Lúcia Baltazar Costa, em Limoeiro do Norte, a 87ª Reunião Ordinária do colegiado. Os membros discutiram os impactos que empreendimentos como o data center e parques eólicos e solares trazem para o estado.
Durante a reunião, a Secretária Executiva da indústria da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), Brígida Miola, ressaltou que a implantação do datacenter do TikTok no Pecém representa um investimento superior a R$ 200 bilhões.
O projeto promete posicionar o Ceeará como um hub tecnológico de IA na América Latina, gerando empregos, com a criação de milhares de postos de trabalho diretos e indiretos, entre construção e operação e atraindo novos investimentos (efeito “cluster”), com uso de energia 100% renovável.

O colegiado ressaltou sua preocupação com os impactos socioambientais do projeto, com o uso hídrico em região de seca, e com o consumo elevado de energia elétrica, sobretudo com a previsão do crescimento de novos parques solares e eólicos entre os municípios de Aracati e Icapuí.
As obras tem tido diversas entraves no processo de licenciamento, em que a comunidade local muitas vezes não é consultada sobre os impactos, como o desmatamento de áreas de mata nativa.
Como encaminhamento, ficou acordado o agendamento de uma nova reunião na sede da SDE com uma comissão de membros do Comitê para buscar formas de minimizar os impactos socioambientais desses empreendimentos.
Recuperação do riacho Araibú
Na reunião, o presidente da Cogerh, Yuri Castro, apresentou o Projeto de recuperação do riacho Araibú, localizado no município de Russas. Yuri destacou que a Cogerh realizou ações de requalificação do leito do riacho e construção de um barramento com pedras no leito do braço seco do rio Jaguaribe.

Isso permitirá que parte das águas provenientes das chuvas na região abaixo dos açudes Banabuiú e Castanhão que escoam no rio sejam direcionadas para perenização do riacho Araibú, permitindo uma recarga do lençol freático da região, que tem sua economia baseada na carcinicultura e agropecuária, com água subterrânea.
Operação do Castanhão
O gerente regional da Cogerh, Hermilson Barros, apresentou um balanço parcial da operação 2026.1 do açude Castanhão, com vazão média aprovada para o período de 01 de fevereiro a 30 de junho de 2026, de 16 m³/s, sendo 9 m³/s Eixão das águas, incluindo a transferência de 6 m³/s para a RMF, e 7 m³/s para perenização do rio Jaguaribe.
Foi destacado que a média da operação encontra-se em 12,816 m³/s: Eixão: 5,746 m³/s; Rio Jaguaribe: 7,07 m³/s. No comparativo entre o simulado e o realizado da operação, o Castanhão, que em 10/03/2026, encontrava-se com o volume de 1.499 milhão de m³, ou 22,37% da sua capacidade, apresenta um saldo de +1,70 m na cota, correspondente a um volume de 224,881 milhões de m³, devido ao aporte registrado nos meses de fevereiro e início de março.

Também foi apresentada a situação de um empreendimento de carcinicultura no município de Limoeiro do Norte que realizou uma intervenção com derivação do leito do rio Jaguaribe. O Comitê deliberou por solicitar à SRH verificar a situação da regularização da outorga de obra de interferência hídrica, e à SEMACE uma solicitação de esclarecimentos sobre o processo de licenciamento ambiental do referido empreendimento.
A reunião contou ainda com uma apresentação da Funceme, com um balanço parcial da quadra chuvosa de 2026, bem como sobre o prognóstico para os meses de março/abril e maio, que prevê que 20% de probabilidade de chuvas acima da média, 40% em torno da média e 40% abaixo da média.
A reunião contou com a presença de 42 das 50 instituições do colegiado, que está passando por um processo de renovação para o próximo mandato (2026/2030).
O analista em gestão de recursos hídricos da Cogerh, Cleilson Almeida, convidou as instituições que ainda não participaram dos encontros regionais já realizados a participarem do 3º e último encontro preparatório, que ocorrerá no dia 26/03/2026, no município de Russas.
