Evento reúne comunidades da Serra das Matas para discutir sobre preservação ambiental da região

O Comitê da Bacia do Acaraú participou, na sexta-feira (19), do III Festival das Nascentes, na Aldeia Belmonte, em Monsenhor Tabosa, localizada na Serra das Matas. O evento, realizado em alusão ao Dia mundial do Meio Ambiente, reuniu cerca de 150 pessoas de várias aldeias locais para debater a situação das nascentes dos Rios Acaraú e Quixeramobim, que iniciam naquela região.


Durante o encontro, foi apresentada a 1ª versão de uma cartilha ambiental elaborada pelos alunos da escola indígena Tabajara cacique Zé Canuto, abordando sobre legislação ambiental e unidades de conservação (UC).
O documento coloca a escola como protagonista de defesa ambiental na área, onde a comunidade busca trabalhar junto ao Governo do Estado para criação de uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) na Serra das Matas, um tipo de UC. A RDS contempla as atividades de populações indígenas e quilombolas, enquanto uma Área de Proteção Ambiental não, como estudado anteriormente com a gestão municipal.


A Serra das Matas é lar de montanhas imponentes, abrigando o Pico da Serra Branca, o maior do Ceará, com 1154 metros. Os habitantes acreditam que uma unidade formalizado para conservar o ecossistema da região, que tem sido palco de iniciativas de conscientização e proteção ambiental, como afirma Vitória Freitas, presidente da aldeia indígena Belmonte.

“Ao visitar este espaço, convidamos todos a contemplar a natureza, valorizar os saberes das comunidades locais e refletir sobre a importância da preservação das nascentes e dos recursos hídricos para as gerações presentes e futuras. Desejamos que esta experiência seja marcada pelo aprendizado, respeito ao meio ambiente e pela conexão com a história e a beleza natural da bacia do Acaraú“, comentou Vitória.
Uma das principais nascentes do Rio Acaraú enfrenta período de escassez hídrica e de influência humana, como degradação e queimadas em áreas próximas, prejudicando sua vazão natural. O corpo d’água cresce ao longo de 370km, matando a sede de cerca de 1 milhão de cearenses, até desaguar no Oceano.

“Nós temos condições de salvar a nascente. Cada uma fazendo sua parte, desde a criancinha em casa“, acredita Luiza Canuto, líder da Associação Indígena Tabajara da Serra das Matas.

O Festival também contou com uma palestra sobre o papel da população local no apoio à pressão e à implantação do Governo de uma RDS para reforçar o trabalho de preservação. Cassimiro Tapeba, secretário executivo de meio ambiente e mudança do clima do Estado, explicou a importância da comunidade somar no processo burocrático, mas necessário, para que o projeto avance da forma mais democrática possível.
“Somos cerca de 5% da população mundial e somos responsáveis por cuidar de cerca de 80% dos recursos naturais globais. Aqui em Monsenhor Tabosa, é onde tem mais indígenas proporcionalmente no Ceará, sendo quase metade dos 17 mil habitantes“, afirmou o membro da aldeia indígena Tapeba.

Além disso, houve distribuição de mudas nativas (ingá, palmeira, pata de vaca e oiti) da secretaria municipal de meio ambiente de Monsenhor Tabosa. Escolas de ensino fundamental do município também realizaram teatros lúdicos, transmitindo mensagens sobre os impactos de ações humanas no ecossistema.


O evento contou com apoio da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh), representada pelo coordenador de operações das bacias do Acaraú e do Coreaú, Guilherme Farias, e por Vinicius Araújo, da Assessoria Socioambiental.


