Comitê do Acaraú aprova vazões para açudes do vale e isolados

Comitê da Bacia Hidrográfica do Acaraú, nesta quarta-feira (17), realizou sua 81ª Reunião Ordinária, em Sobral. A pauta foi marcada pela apresentação do balanço da quadra chuvosa de 2026 pela FUNCEME, a definição da alocação de água dos açudes do Vale e a aprovação dos parâmetros que orientarão as reuniões de alocação dos açudes isolados.

A primeira apresentação foi conduzida pelo Vinicius Oliveira, pesquisador e meteorologista da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME), que apresentou um panorama da quadra chuvosa de 2026 e os cenários climáticos para os próximos meses.

Durante a exposição, foi destacado que as chuvas ocorreram dentro da normalidade em boa parte do Estado, mas as projeções climáticas indicam uma elevada probabilidade de formação do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre de 2026.

Os modelos analisados apontam chance entre 90% e 100% de ocorrência do fenômeno até o final do ano, com possibilidade de atingir intensidade forte ou muito forte, o que poderá favorecer temperaturas mais elevadas, aumento da evaporação dos reservatórios e maior risco de incêndios florestais.

Na sequência, a COGERH apresentou os dados que baseiam o processo de alocação negociada de água do Vale do Acaraú. O sistema é composto pelos reservatórios Araras, Edson Queiroz e pelo sistema integrado Ayres de Souza–Taquara, responsáveis pela perenização do rio Acaraú e pelo atendimento aos diversos usos da água ao longo da bacia.

Os dados apresentados mostram que, em 14 de junho de 2026, a bacia do Acaraú armazenava 85,81% de sua capacidade total, equivalente a aproximadamente 1,5 bilhão de metros cúbicos de água, índice bastante superior à média estadual.

Apesar do cenário favorável, a equipe técnica ressaltou que alguns reservatórios da bacia ainda apresentam situação de maior atenção, justificando a necessidade de um planejamento criterioso para garantir o atendimento aos usos prioritários e a segurança hídrica da região.

Vazões aprovadas

  • Açude Araras: 4.300 L/s
  • Açude Ayres de Souza: 1.300 L/s
  • Açude Edson Queiroz: 900 L/s
  • Açude Taquara: 850 L/s

Outro tema central da reunião foi a definição dos parâmetros para os sistemas hídricos isolados. Diferentemente da alocação do Vale do Acaraú, nessa etapa o Comitê não delibera sobre a vazão final de cada reservatório.

A plenária estabelece limites mínimos e máximos que servirão de referência para as reuniões de alocação a serem realizadas diretamente em cada sistema hídrico, permitindo que usuários da água e representantes locais discutam e definam, dentro desses intervalos, a vazão mais adequada para cada realidade.

Parâmetros definidos para açudes isolados

  • Açude Acaraú Mirim: 200 L/s a 220 L/s
  • Açude Arrebita: 30L/s a 60L/s
  • Açude Forquilha: 120L/s a 130L/s
  • Açude Jenipapo: 55L/s a 60L/s
  • Açude São Vicente: 5L/s a 30L/s
  • Açude Sobral: 18L/s a 20L/s
  • Açude Carão: 24L/s
  • Açude Carmina: 15L/s
  • Açude Farias de Souza: 45L/s
  • Açude Jatobá II: 35 L/s
Açude Jabotá II, em Ipueiras

Foi reforçada a importância da integração entre o conhecimento científico produzido pela FUNCEME, as simulações operacionais elaboradas pela COGERH e o processo participativo conduzido pelo CBH Acaraú. A combinação desses elementos permite que as decisões sobre a operação dos reservatórios sejam tomadas de forma transparente, técnica e compartilhada.

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