
O Comitê da Sub-Bacia Hidrográfica do Alto Jaguaribe aprovou, nesta quarta-feira (7), durante sua 91ª Reunião Ordinária, o Plano de Gestão Proativo de Secas do Açude Faé, localizado no município de Quixelô.
O encontro contou com usuários de água e demais segmentos que integram o colegiado.
Plano de Secas do Açude Faé
Um dos momentos centrais da reunião foi a apresentação do Plano de Seca do Açude Faé, conduzida pela professora da UFCA de Juazeiro do Norte, Celme Torres.
A proposta busca estabelecer mecanismos de preparação e resposta antecipada aos períodos de estiagem, considerando diferentes níveis de severidade da seca e respectivos gatilhos para a adoção de medidas de gestão.

A metodologia apresentada contempla diagnóstico, participação dos usuários e instituições, elaboração de cenários, definição de níveis de seca, planos de ação, monitoramento e atualização das estratégias. O objetivo é fortalecer a capacidade de resposta e reduzir os impactos da escassez hídrica antes que situações críticas se estabeleçam.
O plano considera quatro estados de referência: normal, alerta, seca e seca severa, com ações específicas para cada cenário. Entre os eixos trabalhados estão as dimensões econômica, ambiental, de acesso ao fornecimento de água e social.
Durante a apresentação, também foram abordadas características do hidrossistema do Faé, sua oferta e demanda hídrica e aspectos relacionados à qualidade da água. O diagnóstico apontou a necessidade de aprofundar os estudos sobre a presença de plantas que vivem em ambientes aquáticos, as macrófitas.
A proposta também considera conflitos e dificuldades registrados em períodos anteriores de estiagem, especialmente entre 2012 e 2017, incluindo disputas entre usuários e barramentos irregulares.
Após a apresentação e os esclarecimentos, a presidente do Comitê, Rosângela Maria, colocou o Plano de Seca em votação. A plenária aprovou o documento por unanimidade.

Situação hídrica da região
Durante a reunião, o Coordenador do Núcleo de Operações da Cogerh do Alto Jaguaribe, Cássio Sales, informou a situação atual dos principais reservatórios, destacando que o açude Orós encontrava-se com 90,10% de sua capacidade, enquanto o Poço da Pedra, em Crateús, apresentava 7,16%, sendo apontado como o reservatório em situação mais preocupante entre os citados.
Também foram apresentados informes sobre a operação dos sistemas hídricos e as alocações de água, além de informações referentes às batimetrias realizadas nos reservatórios Trici, Mamoeiro e Trussu. A batimetria do Trussu foi submetida à apreciação da plenária e aprovada sem ressalvas.
Educação ambiental e proteção dos mananciais
Durante os informes, os membros do Comitê apresentaram ainda preocupações relacionadas à qualidade da água e à preservação dos mananciais da região. Foram relatadas situações envolvendo resíduos sólidos, esgotamento sanitário e lançamento de efluentes nas proximidades de corpos hídricos.
Também foi reforçada a necessidade de ações de fiscalização, estudos ambientais e mobilização das comunidades para a proteção dos reservatórios e de suas áreas de influência.
Entre os encaminhamentos, foi solicitada a realização de levantamento e articulação de ações relacionadas à qualidade da água no município de Quixelô, especialmente nas proximidades do Riacho Faé e do reservatório.

Os membros também defenderam a continuidade dos estudos sobre macrófitas em reservatórios da bacia, diante dos impactos que esse tipo de vegetação pode provocar nos usos múltiplos da água.
Gestão dos recursos e participação no ENCOB
Outro ponto da pauta foi a apresentação de informações financeiras e administrativas relacionadas ao Procomitê, incluindo gastos realizados, contratos em andamento e previsão de despesas para 2026.
Os membros também discutiram a participação do Comitê no Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas (ENCOB). Entre os encaminhamentos aprovados estão despesas com hospedagem para representantes e a participação em estande, condicionada à definição da organização do espaço destinado aos comitês.
A plenária também debateu a produção e distribuição de cartilhas educativas. Os participantes destacaram a importância das ações de educação ambiental, especialmente junto às escolas, como estratégia para conscientizar as novas gerações sobre a preservação dos recursos hídricos.
Fortalecimento da participação social
Ao final do encontro, a presidente do CSBH Alto Jaguaribe reforçou a importância de ampliar a presença do Comitê junto às instituições e comunidades da bacia. A proposta é fortalecer a participação social na gestão dos recursos hídricos e garantir que os representantes do colegiado estejam envolvidos nas discussões e ações relacionadas à água nos municípios.

Participaram da reunião 35 Instituições membros e 51 participantes.
