Cogerh sedia Seminário sobre Planos Proativos de Secas e avança em nova estratégia de gestão hídrica no Ceará

Nos dias 25 e 26 de agosto, a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) sediou em Fortaleza o Seminário sobre Planos de Gestão Proativa de Secas. O evento reuniu especialistas, gestores públicos e técnicos para apresentar a experiência do Ceará no desenvolvimento de soluções voltadas ao enfrentamento da seca.

Promovido pelo Programa Cientista Chefe de Recursos Hídricos, o seminário ocorreu no Auditório da Cogerh e foi transmitido remotamente para o público. A programação destacou a elaboração dos Planos Proativos de Secas em diversos reservatórios. A meta é criar 64 planos para 64 reservatórios.

Os Planos Proativos de Secas são fruto da parceria entre o programa Cientista Chefe do Governo do Estado, Cogerh, Secretaria dos Recursos Hídricos, Funceme, Universidade Federal do Ceará (UFC) e Funcap.

A Cogerh, parceira do Programa Cientista Chefe, teve um papel central na formulação e execução desses planos, aplicando sua expertise técnica e mais de 30 anos de experiência em gestão participativa das águas no estado.

O diretor de Operações da Cogerh, Tércio Tavares, reforçou a relevância da ciência para a gestão de recursos hídricos. “A ciência é a base de tudo. Esse investimento em pesquisa, aliado à participação social, é essencial para avançar na segurança hídrica e garantir que o Ceará esteja mais preparado para enfrentar futuras secas“, afirmou.

Até o momento, mais de 20 planos de seca já foram elaborados, em reservatórios como, Patu, Acarape do Meio, Ubaldinho, Jaburu I, dentre outros, fortalecendo a integração entre ciência, inovação tecnológica e gestão participativa. O objetivo é tornar os sistemas hídricos mais resilientes, reduzir os impactos de futuras secas, promover o desenvolvimento econômico e assegurar a segurança hídrica para a população cearense.

Planos de Gestão Proativa de Secas

Segundo o professor e Cientista Chefe do projeto, Assis Filho, os planos são estratégicos e operacionais, permitindo decisões mais precisas e eficientes. “Essa iniciativa coloca o Ceará à frente de outros estados brasileiros na gestão de recursos hídricos, integrando ciência, inovação tecnológica e participação social para garantir melhores condições de vida para a população”, destacou.

A construção dos planos é realizada em parceria com a Secretaria de Recursos Hídricos e diversas universidades, como UFC, UFCA, Unilab, Instituto Federal e Universidade Vale do Acaraú. Essa colaboração garante a participação regional, envolvendo Comitês de Bacia, Comissões Gestoras de reservatórios e associações de usuários de água.

Parceria entre ciência e sociedade na gestão da água

A iniciativa envolve cientistas da Universidade Federal do Ceará (UFC), especialistas da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), técnicos da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) e, fundamentalmente, representantes da sociedade civil.

Esse modelo de gestão participativa é o que torna os planos realmente proativos. Eles são elaborados em todos os açudes do Ceará que contam com Comissões Gestoras de Reservatórios, que são formadas por usuários da água e poder público. “Essa união de conhecimentos técnicos e práticos garante que as ações sejam eficientes, transparentes e alinhadas com as necessidades de quem mais depende da água“, explicou o Professor Assis Filho.

A ciência por trás dos planos de gestão de secas

A elaboração dos planos de gestão de seca da Cogerh é um processo técnico e científico. A pesquisa envolve a análise da variabilidade climática, a modelagem do balanço hídrico e a avaliação do impacto das mudanças climáticas. O resultado é um plano que visa o monitoramento, a previsão e a análise de vulnerabilidade, beneficiando toda a população cearense e os diversos usos da água.

Os planos funcionam com base em alertas graduais de seca à medida que os níveis dos reservatórios reduzem. Para cada estado — alerta, seca e seca severasão definidas ações concretas e específicas.

A inovação nesse projeto foi sua metodologia pedagógica, que convida quem usa água dos açudes a simular as distribuições do recurso durante um ano por meio do “Seca em Jogo“, jogo de tabuleiro criado pela Funceme.

O objetivo é não deixar o reservatório secar após 10 rodadas, simbolizando anos, com cada participante com um papel diferente, representando indústria, pequeno irrigante, poder público e outras instituições que fazem parte do processo de alocação.

“Esse método fomenta reflexão dos próprios usuários sobre os problemas, levanta percepções que o público teve durante aquele momento complicado na vida local e os chama a resolvê-los. Eles se sentem parte do processo. É o caráter democrático. E aí, a gente faz eles enxergarem que existe uma parte do poder público interessada em resolver esse problema junto com eles, conseguindo construir ali o consenso”, analisa Alberto Teixeira, professor do curso de Saneamento Ambiental do IFCE de Limoeiro do Norte e condutor dos Planos de Secas dos açudes Riacho do Sangue, em Solonópole, e do Santo Antônio de Russas.

Otacílio Matos, da Associação dos Produtores Solidários (Aprosol) de Capistrano, usuário do Açude Pesqueiro e membro da Comissão Gestora do reservatório, desenvolveu uma nova visão de sua responsabilidade na operação do manancial após as oficinas do Plano de Secas.

Para o produtor, a grande diferença durante o processo foi compreender a dinâmica das prioridades de uso do hidrossistema e como as decisões da Comissão impactam setores diversos.

“Alguns de nós não tinham a compreensão da importância da Comissão durante as definições das alocações de água. O professor esclareceu quais são as prioridades de uso, que sempre será o abastecimento humano. Porque se faltar água para consumo diário das famílias, é calamidade total”, contou Otacílio, se referindo ao professor Marcelo Cavalcanti, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), que conduziu oficinas com a comunidade local.

Essa rede institucional liderada pelo Programa Cientista Chefe foi determinante para engajar os membros de Comitês de Bacia e de Comissões Gestoras de acordo com a professora de Engenharia Civil da Universidade Federal do Cariri, Celme Torres, que conduziu a construção dos Planos dos açudes Ubaldinho, Rosário e Cachoeira, na região do Salgado.

“O tempo todo a gente dizia aos participantes: ‘Olha, a gente tá aqui como mediador desse plano, mas quem tem que dizer o que quer e o que pensa são vocês’. Então, isso coloca eles como protagonistas do plano e isso faz com que eles tenham um pertencimento muito grande“, afirmou a pesquisadora.

Os planos podem ser visualizados aqui.

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