As mortes dos animais foram devido à uma bactéria endêmica: Streptococcus Agalactiae

A Cogerh emitiu uma nota técnica sobre a mortalidade de peixes no
Açude Jaburu II, em
Indepedência, após o resultado de exames realizados no Departamento de Medicina Veterinária Preventiva da Universidade Federal de Minas Gerais (
UFMG).
A prefeitura Municipal de Independência havia informado, no início de outubro, sobre a situação dos animais no reservatório e a Companhia enviou uma equipe para analisar e levantar hipóteses.

O analista de recursos hídricos da Gerência de Desenvolvimento Operacional (Gedop),
Mário Barros, explicou sobre os resultados das análises realizadas.
“A causa foi uma bactéria endêmica. O hospedeiro principal é a tilápia, mas pode haver transmissão horizontal para outras espécies de peixes, a depender da fisiologia e da resistência delas. A cepa encontrada no açude Jaburu II não é produtora de zoonoses, ou seja, não infectam humanos. Não é nada de extraordinário, mas merece atenção pelo elevado grau de eutrofização do reservatório”, afirmou o analista.
A recomendação principal é não capturar peixes com abdômen inchado, olho estufado (exodtalmia) e/ou que apresentam natação errática (em rodopio), pois são sintomas principais da infecção, nem usar a água do reservatório sem tratamento prévio, mesmo que para banho ou para outras atividades de contato primário. De acordo com Mário, os animais continuarão morrendo até que o ambiente se estabilize, podendo ocorrer rapidamente, mas também pode se prolongar até a estação chuvosa.

O desenvolvimento da bactéria foi favorável no Jaburu II devido às condições extremas de eutrofização (hipereutrófico), ao baixo volume (6,8%), ao elevado tempo de detenção hidráulico e às elevadas temperaturas (acima de 27ºC) e concentrações de cianobactérias criaram um ambiente de estresse promissor para a proliferação da bactéria.
O
Comitê da Bacia Hidrográfica dos Sertões de Crateús foi informado sobre a nota técnica durante sua 14ª Reunião Extraordinária, nesta quinta-feira (2). O documento já foi enviado e discutido com a Cagece, com a prefeitura de Independência, no grupo de contigência, no CBH e com a comunidade local de pescadores.
Confira a nota técnica na íntegra abaixo.