Chuvas atrasam obras no Canal da Integração

O Canal da Integração medirá 256,2km. Destes, estão prontos 162,2km, segundo estimativa feita pela Sohidra
Morada Nova. O inverno rigoroso no Ceará em 2008 trouxe prejuízos às obras do Canal da Integração, antigo projeto de abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza com as águas do Açude Castanhão. Os trechos II e III da obra, que já deveriam ter sido entregues, ainda não estão completamente terminados. As fortes chuvas danificaram construções e diminuíram o ritmo dos trabalhos. Algumas atividades chegaram, inclusive, a serem paralisadas. Ao todo, 63,31% do “Eixão” já estão prontos, de acordo com informações fornecidas pela Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra). Em fevereiro passado, o governador do Estado, Cid Gomes, garantiu que as águas do Castanhão chegariam à Capital até o fim do primeiro semestre, mas fez a ressalva de que o cumprimento dessa meta dependeria do inverno. Agora, a nova previsão para o abastecimento de Fortaleza pelo Canal da Integração é até o fim de agosto, conforme estipula o engenheiro civil da Sohidra, Ângelo Guerra, um dos membros da Comissão de Fiscalização do Eixo da Integração. Essa é a previsão para o trecho III, entre a Serra do Félix, em Morada Nova, e o Açude Pacajus, estar pronto. Como esse reservatório já é interligado ao Sistema Pacoti-Riachão-Gavião, o abastecimento da Capital pelo maior açude do Estado começará mesmo sem estar pronto o trecho IV, que vai de Cascavel ao Açude Gavião, em Pacatuba. Situação dos trechos No trecho III, cerca de cinco quilômetros faltam ser construídos. Segundo a Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH), 92,5% dessa fase está concluída. A reportagem do Diário do Nordeste percorreu boa parte dos 66,3km desse trecho, indo desde a localidade de Lajeiro, em Morada Nova, até o Açude Pacajus. Tratores, escavadeiras, pás, rochas e materiais de construção compunham o cenário. Em várias partes do canal, já havia água, mas proveniente da chuva. Trechos praticamente prontos coexistiam com áreas que ainda eram escavadas. Enquanto em alguns faltava apenas algum acabamento, em outros só existia o buraco reservado para o canal, sem qualquer camada de concreto ainda. Segundo Ângelo Guerra, a previsão inicial era entregar o trecho III em fevereiro passado. Posteriormente, por causa do inverno, essa meta passou para abril e agora está em agosto. Entre os danos ocorridos no Eixão, houve o rompimento de algumas placas de revestimento do canal e a obstrução de canaletas de drenagem pelo solo carregado pelas chuvas. Por contrato, a reparação dos problemas ocorridos é de inteira responsabilidade do consórcio de empresas licitado para a obra, e não representa gastos ao governo do Estado, conforme garante Guerra. O engenheiro explica que obras de terra e escavações foram paralisadas durante o período de chuvas fortes, pois não adiantava trabalhar em um solo que não está fixo. Fase de testes O trecho II, que vai do Açude Curral Velho, em Morada Nova, até a Serra do Félix, no mesmo município, tem 99,5% das obras concluídas e já está em fase de testes. A previsão inicial da SRH era entregá-lo em fevereiro passado, mas as chuvas também levaram à necessidade de recuperar algumas áreas degradadas. Além dos serviços de recuperação, está sendo executada a limpeza final da obra. Devido à necessidade desses procedimentos, o novo prazo estipulado para a entrega do trecho II é até o fim do próximo mês de julho. Enquanto isso, o trecho I, que vai do Castanhão, em Jaguaribara, até o Açude Curral Velho, já está em funcionamento e sendo utilizado nos perímetros irrigados de Russas. Ao todo, o Eixo da Integração, como prefere chamar o governo do Estado, medirá 256,2km. Destes, estão prontos 162,2km, segundo estimativa da Sohidra. Os recursos para a a obra vêm de várias fontes, como o Ministério da Integração Nacional, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco Mundial, além do tesouro estadual. Neste ano não houve atrasos na liberação das verbas. O custo total do canal é cerca de R$ 1 bilhão. No trecho II, as construções estão a cargo do consórcio Galvão Engenharia, Somague Engenharia, S.A Paulista de Construções e Comércio e Construtora Barbosa Melo. No III, do consórcio Andrade Gutierrez, Noberto Odebrecht e Queiroz Galvão.

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