Açudes sangrando, feijão perto da colheita e promessa de milho verde para as festas juninas. Os moradores da zona rural de Irauçuba e Sobral estão vivendo dias de fartura

Seu Francisco tem anotado dia e hora que o açude Jerimum sangrou:: às 7 horas do dia nove passado. Mora na beira da parede do reservatório desde que foi inaugurado em maio de 1995. Data por data, ele não esquece: Quatro vezes atingiu sua capacidade máxima – 20.500.000 de metros cúbicos – em 1996, 2003, 2004 e este ano. Alegria maior do que ver um mundão de água de sua janela é cuidar do roçado de feijão e milho. O feijão está bajeando (formando bagens ou vagens) e daqui a alguns dias vamos ter fartura. O milho custa um pouco a bonecar (virar espiga), mas em junho, nas festas dos santos (Santo Antônio, São Pedro e São João), vai dar para a gente colher as espigas verdinhas, calcula..
Como seu Francisco Alves da Silva, outros agricultores que moram nas proximidades do açude Jerimum, na área rural de Irauçuba, Zona Norte do Estado, aguardam uma boa colheita. São famílias que vivem da agricultura nos assentamentos Consulta I, Consulta II e Pedra Furada. No ano passado, sofreram com a escassez de chuvas e o feijão desapareceu da mesa. Ainda hoje, nas feiras, o quilo do feijão está a R$ 4,00, um absurdo. Este ano, Deus vai ajudar pra que a colheita seja grande, diz seu Francisco.
As boas precipitações desta quadra chuvosa em Irauçuba também deram pra encher as cisternas de placas espalhadas nas localidades de Campinas, Jerimum, São Joaquim e nos assentamentos. Com a água da cisterna, uma família com cinco pessoas tem água suficiente para beber e cozinhar durante seis meses.
O açude Jerimum abastece a cidade de Irauçuba e distritos de Tejuçuoca. Nessa região, estamos com boa reserva de água. Os pequenos açudes estão cheios e só o Pentecoste, o Caxitoré e o General Sampaio, aqui perto, ainda não sangraram, informou Rufino Eufrásio de Brito, responsável pelo Jerimum, que é administrado pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). Ele diz que, nos fins de semana, muitas pessoas vão para a parede do açude. A sangria é uma atração e a garotada gosta de ficar atravessando a passagem molhada, completa.
Nos açudes de Patos e Ayres de Souza (Jaibaras), em Sobral, também é um atrativo para os moradores e visitantes. O comerciante Raimundo Nonato do Carmo, o seu Panqueca, diz que a freguesia aumentou no balneário Mangueirão, próximo ao sangradouro do Jaibaras. Todo dia é um movimento danado. Não falta freguês, graças a Deus. No balneário que seu Panqueca administra, o prato preferido é o peixe frito. É o tucunaré, a pescada, a tilápia. Pescado é fetinho na hora, anuncia.
Para o tempero, ele cultiva a cebola, o coentro, a cebolinha no quintal da casa. Quem não gosta de peixe, o que é muito difícil, pode pedir uma galinha à cabidela ou um camarão ao alho e óleo. Os preços são em conta, faz o comercial. Há tempos seu Raimundo deixou de fazer as simples panquecas que lhe renderam o apelido. Agora aposta nos tempos de boas chuvas, como agora, para também colher o milho e o feijão que plantou no fim do mês passado.
SANGRIAS NA ZONA NORTE
Bacia do Acaraú
Acaraú Mirim – Massapê
Ayres de Souza – Sobral
Forquilha – Forquilha
Sobral – Sobral
Bacia do Coreaú
Angicos – Coreaú
Gangorra – Granja
Itaúna – Chaval
Tucunduba – Senador Sá
Várzea da Volta – Moraújo
Bacia Curu
Jerimum – Irauçuba
Bacia do Litoral
Patos – Sobral
Poço Verde – Itapipoca
Quandú – Itapipoca
Santo. Antênio de Aracatiaçu – Sobral
Santa Maria de Aracatiaçu – Sobral
São Pedro Timbaúba – Miraíma
FONTE: Cogerh