O açude atingiu a capacidade de 67% e os técnicos abriram duas de suas comportas no início da tarde de ontem

Jaguaribara. Depois de apenas um mês e meio de inverno “propriamente dito” e mais de 30 açudes sangrando no Ceará, foi a vez do “gigante” Castanhão lançar suas águas para controlar o seu nível hídrico e os de outros reservatórios. Ao atingir aproximadamente cinco bilhões de metros cúbicos e 67% de sua capacidade, o açude teve duas de suas 12 comportas abertas na tarde de ontem, jorrando 500 mil litros de água por segundo. O fenômeno atraiu, imediatamente, cerca de 300 pessoas que andaram por vários quilômetros para não perder a “onda Castanhão”.
“’Bora’, gente, comprar a camisa do Castanhão. E tem boné também”, anuncia a vendedora ambulante Jocimeire Freire de Freitas, mostrando camisetas e bonés com a foto do Castanhão estampada com suas comportas todas abertas – situação ocorrida em fevereiro de 2004, na primeira vez em que o açude derramava água no leito do Rio Jaguaribe, a uma vazão de 1.200 metros cúbicos de água por segundo (ou 1,2 milhão de litros). A atual abertura de duas comportas se dá para controlar o nível de cheia de rios como o Figueiredo e açudes como o Orós, este com sangramento previsto para os próximos dias. É quando mais uma ou duas comportas do Castanhão poderão ser abertas.
A abertura da primeira comporta aconteceu, ontem, às 14h 30, logo após técnicos e engenheiros do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) averiguarem que o reservatório alcançava a cota de 101 metros acima do nível do mar, o que corresponde a cinco bilhões de metros cúbicos de água acumulados. A segunda abertura foi às 14h55. Eduardo Segundo, coordenador do Dnocs, disse que o açude poderia segurar água sem transtornos até a cota 106, “mas não só o Dnocs como a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), avaliamos que a cota 101 é a ideal para manter o equilíbrio daqui e das outras bacias”.