AUMENTA A VAZÃO DAS COMPORTAS DO CASTANHÃO

Com 95,5% de sua capacidade total, o Castanhão aumenta a fenda das quatro comportas
O Castanhão atingiu 95,5% de sua capacidade na manhã de ontem, acumulando 6,4 bilhões de metros cúbicos (m³) de água. À tarde, a Companhia de Gestão dos Recursos Hidrícos (Cogerh) deciciu aumentar a fenda das quatro comportas abertas desde 24 de abril de 1,80 metro para 2,25 metros. Com isso a vazão do açude subiu de 670 m³ para 870 m³, chegando mais perto dos 1.050 m³ que entram a cada segundo. A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) utiliza uma vazão de 6,2 m³ por segundo para abastecer Fortaleza inteira. Isso dá uma noção do volume de água liberado a cada segundo pelo Castanhão. É 140 vezes maior. A operação de abertura começou por volta de 15h30min e só foi possível graças à diminuição do nível do açude Banabuiu, o terceiro maior do Estado. Assim como o Castanhão, o Banabuiu sangra no rio Jaguaribe, já cheio com as chuvas desse “inverno”. Jogar mais água no rio é uma ameaça aos municípios do Baixo Jaguaribe castigados pelas cheias. “Como o Banabuiu baixou, pudemos diminuir a abertura das comportas lá, tirando exatamente 200 m³ da vazão. Abrimos em um, mas tiramos do outro. Para o Baixo Vale, o impacto vai ser mínimo”, afirma Yuri Castro, assessor da presidência da Cogerh. No açude de Banabuiu, seis comportas continuam abertas, mas agora a fenda em cada uma diminuiu de um metro para 0,70 centímetros. Assim, de acordo com Yuri, ainda é possível administrar a água sem prejuízos para a região jaguaribana. O problema é se a chuva persistir. O Castanhão pode acabar provocando novas inundações. “Continuando a chover na bacia de contribuição do Castanhão, vamos ter que abrir mais. Se não tiver a folga que tivemos com o Banabuiu, a situação pode complicar”, confirma Yuri. No domingo, uma nova avaliação será feita. Neste período chuvoso, não existem fins de semana ou feriados. É preciso controle para evitar um estrago maior. A leitura do nível do açude é feita de hora em hora. O Castanhão não pode sangrar. Se ele atingir sua capacidade máxima, de mais de 6,7 bilhões de metros cúbicos (m³) de água, as cidades da Região do Jaguaribe serão inundadas. Além disso, por ser fundamental no controle de enchentes, o açude precisa ter um volume de espera para o próximo “inverno”, ou seja, é preciso ter espaço sobrando para guardar água. “Tivemos cheias em 2004, 2008 e 2009. Se o Castanhão não tivesse segurado água nesse ano, teria tido bem mais transtorno”, diz Yuri.

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