
Após mais um mês de quadra chuvosa, o Ceará alcançou 51,12% de sua capacidade total de reservação hídrica. O volume acumulado nos 144 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) chega a aproximadamente 9,36 bilhões de metros cúbicos, com destaque para o acumulado registrado no mês de abril.
Somente em abril, o aporte foi de 2,90 bilhões de metros cúbicos. Apesar dos bons números absolutos, o cenário ainda inspira cautela. O volume atual é cerca de 5% inferior ao observado no mesmo período de 2025, quando o estado atingia 55% da capacidade total.
A maior atenção recai sobre a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), que apresenta um déficit de aproximadamente 40% em relação ao ano passado. A situação reflete a baixa recarga do sistema formado pelos açudes Pacajus, Riachão e Gavião, essenciais para o abastecimento da capital e municípios vizinhos.
Segundo o diretor de Planejamento da Cogerh, Tércio Tavares, o cenário exige monitoramento contínuo e ações estratégicas para garantir segurança hídrica à população.
“Neste sentido, o Governo do Estado, por meio da Cogerh realiza desde o dia 20 de fevereiro a transferência de águas do Açude Castanhão para a RMF. As águas vem através da liberação do Açude Orós, que viajam até o Castanhão e de lá seguem para a região metropolitana de Fortaleza”, explicou o diretor de Operações da Cogerh, Tércio Tavares.
Além disso, a companhia realiza transferência de água dos açudes Itaiçaba e Açude Aracoiaba (sem prejuízo aos munícios de Aracoiaba e Itaiçaba) para o sistema integrado metropolitano de Fortaleza, reforçando a segurança hídrica de mais de 4 milhões de habitantes que residem na região.
Acumulado por região hidrográfica
O panorama atual reforça ainda uma característica histórica do estado: a distribuição desigual da água. Enquanto algumas bacias apresentam bons volumes, outras inspiram atenção. Enquanto as bacias mais ao norte do Ceará registram maiores volumes, como as do Coreaú, Acaraú e Litoral, outras, por sua vez, não tiveram tanto aporte, como a bacia dos sertões de Crateús e Médio Jaguaribe, ambas abaixo de 30% da sua reservação total.
A bacia do Alto Jaguaribe, onde está o Orós, registra bons acumulados, totalizando 95% da sua capacidade total. Já a bacia do Banabuiú, no sertão central está com 30% do seu volume total, enquanto a do Salgado, na região do Cariri, registra 68% do seu acumulado total.
